Estar junto é uma decisão que tomamos. Não acredito que a
paixão permeie um relacionamento durante anos. Acredito no amor, no companheirismo,
na cumplicidade, ou seja, vontade de estar junto. Não necessariamente desejo,
sexo, ou tara ou qualquer coisa que esteja apenas no corpo.
Nós nos apaixonamos, vivemos isso numa intensidade que
quando passa parece que entramos numa depressão. Só que parte das pessoas esquece
que um relacionamento não é só paixão. Um relacionamento é tão mais: é o dia a dia,
lado a lado que gera conteúdo, que forma alicerces que produzem uma casa firme.
Conclusão: após a paixão as partes envolvidas escolhem ou
não, permanecer juntos. Avalia-se os prós e contras e se pesa o quanto vale a
companhia do outro. Se escolher permanecer junto, colhem-se os frutos do
companheirismo, da luta do que foi vivido e transformado. Se escolher viver
outra paixão, continuará repetindo esse ciclo para sempre.
No ciclo de encontrar uma paixão perene, muitas mágoas rolam vida abaixo. Uma das partes sempre sai mal. Uma vez perde eu, na outra você.
Sempre alguém fica com o gosto do que não foi vivido de alguma forma. Sempre fica a
dúvida: será que eu não fui precipitada? (parte deixada pensa), será que não fui
dura demais? (parte deixada pensa), eu poderia ter agido diferente? (parte
deixada pensa). A parte deixada sempre é mais sentimental, sofre mais, pensa,
repensa e não esquece. Já a parte que deixou já está apaixonada. A parte que
deixou nem lembra mais porque deixou a parte deixada. A parte que deixou tem memória curta o que a
faz viver feliz sempre.
Há pessoas que não consegue viver sem essa inquietude maluca
que a paixão causa. Eu super amo a paixão, sem ela como eu me jogaria em todos
os desafios que me impus. Mas em relacionamentos ela não pode ser o fator
decisório. Num relacionamento se coloca numa balança de um lado a paixão e do
outro companheiro, amizade, verdade, vontade de estar junto, cumplicidade. No
final, cada um dará o peso disso tudo e fará sua escola.